O que me espanta não é o avanço conquistado por essas empresas e pessoas, e sim o fato de que muita gente ainda olha para tudo isso com certo desdém, como se o que está acontecendo fosse uma grande mentira ou um furor típico dos entusiastas das novas tecnologias.
Alguns renomados especialistas em comunicação há décadas fizeram previsões sobre o futuro da vida em rede. E eu fico aqui imaginando como podiam prever tantas coisas em uma época tão distante do dinâmico ambiente de relacionamento, troca de informação e conhecimento que a internet propicia nos dias de hoje.
O principal profeta dos novos tempos foi sem dúvida nenhuma Marshall McLuhan, que lá na década de sessenta já discursava com naturalidade sobre questões como o futuro das comunicações e do trabalho, a tediosa educação (que até hoje continua a mesma), o futuro do livro, as diferenças entre a participação do telespectador frente à televisão e ao cinema e, ainda, sobre o futuro do jornalismo, profetizando a participação ativa do cidadão comum na criação e gestão da noticia. Ele foi capaz de enxergar além dos sinais concretos dos fatos e observar o ambiente que se formava mesmo sem que as pessoas percebessem.
Hoje, com a rapidez das transformações causadas pelas tecnologias, parece incompreensível que ainda exista alguém descrente de um “futuro” que já é presente e que não tem volta.
Porém, tem um “quê” que precisamos entender sobre o comportamento natural das pessoas frente às novas tecnologias. Em uma conferência pública proferida em 1966 na Galeria de Arte Kaufmann, em Nova York, McLuhan cita a dificuldade da humanidade em perceber o momento presente:
“É típico em nossa orientação retrovisora que olhemos para todas essas novas tecnologias como se fossem reflexos da velha tecnologia. Pois Deus sabe há quanto tempo as pessoas, ao se deparar com cada nova tecnologia, a retraduzem para a tecnologia antiga, familiar.Todos vocês conhecem exemplos disso. Os primeiros automóveis foram feitos com porta-chicotes…”
O que isso significa? Ao adaptarmos as novas tecnologias aos velhos padrões, perdemos a oportunidade de tirar o melhor proveito delas. E é aí que as pessoas e empresas mais antenadas tiram vantagens significativas em seus mercados, inovando e aproveitando o melhor do momento em que estão inseridas.
O fato é que diariamente nos deparamos com pessoas e empresas que vivem a “Síndrome do Retrovisor”.